Contexto: Fluxo padrão do módulo Compras (SIGACOM) integrado a Estoque e Financeiro, nas releases atuais do Protheus 12, com a cotação feita pelo Novo Fluxo de Compras (NFC). Etapas como cotação e aprovação por alçada dependem da parametrização de cada empresa.
Compras é um dos processos que mais conecta áreas dentro do Protheus. Um único pedido passa pela área que precisa do material, por compradores, aprovadores, recebimento, fiscal, estoque e financeiro. Quando o fluxo não está claro para todos, os sintomas aparecem rapidamente: pedidos parados sem ninguém saber por quê, notas que não “amarram” com o pedido, títulos a pagar com valor diferente do combinado.
Este artigo mostra o fluxo completo, etapa por etapa: o que acontece em cada uma, quais tabelas são alimentadas e onde os problemas costumam nascer — incluindo a principal mudança recente do módulo, o Novo Fluxo de Compras (NFC), que substituiu as rotinas tradicionais de cotação. Serve tanto para quem está chegando à área de sistemas quanto para quem precisa explicar o processo a um usuário-chave.
Visão geral do fluxo
| Etapa | Quem executa | Principais tabelas |
|---|---|---|
| Solicitação de compras | Área requisitante | SC1 |
| Cotação — Novo Fluxo de Compras (NFC) | Comprador | DHU, DHV, SC8, SCE |
| Pedido de compra (ou contrato) | Comprador | SC7 |
| Aprovação (alçadas) | Aprovadores | SCR |
| Pré-nota (recebimento) | Recebimento / almoxarifado | SF1, SD1 |
| Documento de entrada (classificação) | Fiscal | SF1, SD1 |
| Atualização de estoque | Automática | SB2 |
| Título a pagar | Automático | SE2 |
Nem toda empresa usa todas as etapas. Compras recorrentes com fornecedor fixo costumam pular a cotação; empresas menores muitas vezes não usam aprovação por alçada. O importante é que a empresa decida conscientemente quais etapas usa — e que essa decisão esteja refletida na parametrização.
1. Solicitação de compras (SC1)
A solicitação (rotina MATA110) é o registro formal de uma necessidade: quem pediu, qual produto, quanto, para quando e para qual centro de custo.
Por que importa: sem solicitação, o comprador recebe pedidos por e-mail, telefone e corredor, e não há rastreabilidade de quem pediu o quê. Com ela, cada pedido de compra pode ser vinculado à necessidade que o originou.
Onde dá problema:
- Produtos genéricos ou cadastros duplicados (“parafuso diversos”), que impedem análise de consumo e de preço.
- Centro de custo errado, que distorce o gerencial lá na frente.
- Solicitações antigas nunca encerradas, que poluem a fila do comprador.
2. Cotação: o Novo Fluxo de Compras (NFC)
Esta é a etapa que mais mudou nos últimos anos. A cotação no Protheus hoje é feita pelo Novo Fluxo de Compras (NFC) — rotina PGCA010, com interface web — e não mais pelas rotinas tradicionais.
As rotinas de cotação legadas foram descontinuadas. Segundo a TOTVS, o suporte e as atualizações de Geração de Cotação (
MATA131), Atualização da Cotação (MATA150) e Análise da Cotação (MATA160eMATA161) foram encerrados em 30/06/2025, em todas as versões, e o substituto oficial é a jornada de cotação do NFC. As comunicações da TOTVS indicam que as rotinas deixam de fazer parte do padrão a partir da release 12.1.2510, com a data de bloqueio definitivo divulgada pela própria TOTVS — acompanhe os comunicados oficiais. Se a sua empresa ainda usa as rotinas antigas, a migração precisa estar no planejamento.
O que muda na prática
- Uma única tela para o comprador: gerar a cotação a partir das solicitações, atualizar as propostas e analisar o vencedor, sem alternar entre rotinas.
- Fornecedor responde direto: com o workflow configurado, o fornecedor recebe a cotação por e-mail e responde por um formulário com preço, prazo e condições; a resposta atualiza a cotação no Protheus automaticamente.
- Participantes não cadastrados: é possível cotar com um fornecedor que ainda não existe na base e transformá-lo em fornecedor quando ele vencer.
- Saída flexível: ao finalizar, o NFC gera o pedido de compra ou um contrato.
Tabelas do NFC
| Tabela | Conteúdo |
|---|---|
DHU |
Cabeçalho da cotação |
DHV |
Produtos da cotação |
SC8 |
Cotações (propostas por fornecedor) |
SCE |
Encerramento de cotações |
AC9 / ACB |
Relação de objetos e banco de conhecimento (anexos) |
Além delas, o NFC usa as tabelas já conhecidas do processo: SC1 (solicitações), SA2 (fornecedores), SB1 (produtos) e SC7 (pedidos de compra).
Parâmetros que valem a revisão
| Parâmetro | Para que serve |
|---|---|
MV_SELFOR |
Permite escolher fornecedores livremente ou só entre os amarrados em Produto x Fornecedor |
MV_PGCWF |
Usa o e-mail do comprador para enviar o formulário de workflow ao fornecedor |
MV_COTFIAP |
Em compras centralizadas, define se os pedidos nascem na filial de entrega ou na de compra |
MV_PCEXCOT |
Reabre a cotação quando o pedido de compra ou o contrato gerado é excluído |
MV_DESQFPD |
Desqualifica automaticamente os fornecedores que não responderam ao finalizar a cotação |
A lista completa está no artigo de parâmetros e tabelas do NFC na Central de Atendimento TOTVS.
Por que importa: a cotação é a evidência de que a compra foi feita com critério. Em auditorias, a pergunta “por que este fornecedor?” deveria ser respondida por ela — e o NFC deixa esse registro mais completo, com as respostas vindas do próprio fornecedor.
Onde dá problema:
- Workflow de e-mail não configurado: sem ele, o comprador volta a cotar por fora do sistema e só lança o vencedor.
- Cotações registradas depois da compra feita, apenas para “cumprir o processo”.
- Customizações das rotinas antigas: pontos de entrada e relatórios criados sobre
MATA131,MATA150ouMATA160não se aplicam ao NFC. Levante essas customizações antes de migrar — a própria TOTVS indica que o NFC tem poucos ou nenhum ponto de entrada para alterar seu comportamento. - Migração sem treinamento: a tela é nova para os compradores; reserve tempo para treinamento e acompanhamento nas primeiras semanas.
3. Pedido de compra (SC7)
O pedido de compra é o documento que formaliza a compra com o fornecedor: itens, quantidades, preços, condição de pagamento, prazo de entrega e TES (tipo de entrada e saída), que define o tratamento fiscal e se a entrada movimenta estoque e gera financeiro.
O pedido pode ser gerado pelo NFC a partir da cotação vencedora, a partir da solicitação ou incluído diretamente.
Por que importa: é a referência para todo o resto. O recebimento confere a nota contra o pedido; o financeiro espera o título conforme a condição de pagamento do pedido.
Onde dá problema:
- TES errada no pedido, que se propaga para a nota e para o fiscal.
- Preço desatualizado, que gera divergência na entrada da nota.
- Pedidos com saldo residual nunca eliminados, que aparecem como “pendentes” para sempre e confundem a programação de recebimentos.
4. Aprovação por alçada (SCR)
Quando o controle de alçadas está ativo, o pedido fica bloqueado até ser aprovado pelos responsáveis definidos para aquele valor ou centro de custo. Os documentos aguardando aprovação ficam registrados na SCR, e os aprovadores os liberam pela rotina de liberação de documentos.
Por que importa: é o controle de quem pode comprometer o caixa da empresa, e em que valor.
Onde dá problema:
- Aprovador de férias ou desligado sem substituto cadastrado: pedidos parados dias sem ninguém perceber.
- Grupos de aprovação desatualizados após mudanças de estrutura.
- Pedidos alterados depois de aprovados — dependendo da configuração, voltam para aprovação, o que surpreende o comprador.
Uma prática simples que evita muito atrito: um relatório diário de pedidos bloqueados há mais de X dias, enviado ao gestor de compras.
5. Recebimento: a pré-nota (SF1/SD1)
Quando a mercadoria chega, o recebimento confere fisicamente o material e registra a pré-nota (rotina MATA140), vinculando os itens da nota ao pedido de compra.
A pré-nota registra a chegada sem ainda gerar os efeitos fiscais, de estoque e financeiros — essa é a função da classificação, na etapa seguinte. Isso permite separar quem confere o material de quem confere os impostos.
Por que importa: é aqui que se compara o que foi pedido com o que chegou. Divergências de quantidade e preço devem ser tratadas neste momento, com o fornecedor ainda acessível — e não meses depois, no fechamento.
Onde dá problema:
- Pré-notas que ficam semanas sem classificação: o material já está na prateleira, mas não existe no saldo do sistema. É uma das causas clássicas de divergência entre estoque físico e sistêmico.
- Nota recebida sem vínculo com o pedido, perdendo o controle de saldo do pedido.
6. Classificação: o documento de entrada (SF1/SD1)
A classificação (rotina MATA103) completa o documento: confere impostos, define ou confirma a TES e efetiva a entrada. É neste momento que o Protheus:
- atualiza o estoque (saldo em
SB2) quando a TES movimenta estoque; - gera o título a pagar (
SE2) quando a TES gera financeiro, conforme a condição de pagamento; - gera os livros fiscais e, quando configurado, os lançamentos contábeis.
Por que importa: é a etapa em que o processo de compras se transforma em estoque, imposto e obrigação financeira.
Onde dá problema:
- Impostos calculados diferentes do destacado na nota, por cadastro fiscal incompleto do produto ou do fornecedor.
- Classificação feita no mês seguinte com data retroativa, afetando períodos já fechados.
7. Estoque e contas a pagar
Com a nota classificada, o material passa a existir no saldo e o título entra na programação de pagamentos. O ciclo de compras termina aqui — mas o financeiro depende de tudo que veio antes: condição de pagamento do pedido, valor da nota, impostos retidos.
Um título a pagar “errado” quase nunca é um problema do financeiro: é o reflexo de uma informação errada em alguma etapa anterior.
Indicadores que ajudam a gerir o processo
| Indicador | O que revela |
|---|---|
| Tempo médio da solicitação ao pedido | Eficiência de compras |
| Cotações com resposta do fornecedor pelo workflow | Adoção do NFC e qualidade do registro |
| Pedidos aguardando aprovação há mais de N dias | Gargalos de alçada |
| Pré-notas não classificadas há mais de N dias | Risco de divergência de estoque e atraso fiscal |
| Pedidos com saldo residual antigo | Necessidade de limpeza de pendências |
| Divergências de preço na entrada | Qualidade do cadastro de preços e da negociação |
Checklist para revisar o processo na sua empresa
- A cotação já é feita pelo Novo Fluxo de Compras (NFC), com o workflow de e-mail configurado?
- As customizações das rotinas de cotação antigas foram levantadas e tratadas?
- Está definido quais etapas são obrigatórias para cada tipo de compra?
- Os grupos de aprovação e substitutos estão atualizados?
- Existe rotina para eliminar resíduos de pedidos antigos?
- Pré-notas pendentes são acompanhadas diariamente?
- As TES usadas em compras estão revisadas com o fiscal?
- Os usuários de cada etapa sabem o que a etapa seguinte espera deles?
O fluxo de compras funciona bem quando cada área enxerga além da sua própria tela. Entender de onde vem e para onde vai cada informação é o primeiro passo para reduzir retrabalho — e para que o sistema seja um aliado, e não o culpado, quando algo sai errado.




